quinta-feira, 21 de maio de 2020

Opinião: cobrança extra de adicional noturno

Por: Luciano Bonfoco Patussi
21 de maio de 2020


Diante da crise global, provocada pela pandemia do novo coronavírus, o futebol foi um dos meios atingidos, com campeonatos adiados ou até mesmo cancelados – nada mais justo, pois a manutenção do sistema de saúde em funcionamento deve estar acima de todas as prioridades!

Em meio a esse novo contexto universal, um acontecimento merece total atenção dos clubes de futebol do Brasil, das federações e até mesmo da televisão e de seus patrocinadores.

O atleta Maicon, que possui vínculo contratual junto ao Grêmio, ganhou na esfera trabalhista, uma causa movida contra o São Paulo, onde atuou entre 2012 e 2015. Na ação, conforme noticiado através de inúmeros canais de mídia esportiva – três deles, relacionados na sequência desse texto, o jogador teria solicitado pagamento de adicional noturno, por estar à disposição do tricolor paulista em jogos à noite. Na prática, não é a primeira vez que há ocorrência de um jogador, vinculado a um grande clube, fazer este tipo de apelo ao judiciário, no Brasil!

É importante destacar que, se o processo englobar direito ao recebimento de valores contratuais que por ventura não tenham sido quitados pelo clube, nada mais justo! Afinal de contas, contrato serve para criar responsabilidade entre as partes! Isso é premissa básica!

Todavia, se o pagamento dos valores contratuais foi cumprido – mesmo que com possíveis atrasos ou renegociações, nada justificaria (eticamente falando) a solicitação do pagamento de adicional noturno. Em minha ótica, está subentendido, em contratos de jogadores de futebol neste nível de qualificação, que sua remuneração engloba trabalho em horário noturno. Aliás, boa parcela dos contratos de jogadores de futebol das séries A e B do campeonato brasileiro, só possui cifras invejáveis, devido ao fato de a TV e os patrocinadores pagarem muito bem para transmitir jogos, inclusive à noite!

Importante destacar: uma informação, que não fica clara nas reportagens, é se a verba de “adicional noturno” solicitada na ação, estava prevista percentualmente como “extra”, no contrato do jogador citado. Se positivo, é preciso ser pago! Agora, se não há nada escrito sobre isso nos termos contratuais, é porque isso estava subentendido – mas nesse caso, entramos em uma questão que fica acima da legalidade e da formalização. Entramos no campo da ética, onde é necessário que as partes tenham bom senso para entender o contexto do contrato e sua remuneração, na comparação com a atividade fim por ele proposto. Caso negativo...

Talvez, seja o momento de os clubes atuarem unidos neste sentido, sem politicagem e com ações efetivas, visando fortalecer e padronizar os controles gerenciais dentro dos contratos de futebol. Pois, se a moda pegar...

Do mesmo modo, é importante que a mídia esportiva, através de profissionais competentes e amparada no anseio dos atletas, cada vez mais fomente esse debate e cobre dos clubes, para que as limitações orçamentárias sejam sempre respeitadas, de modo responsável, em todos os momentos durante a gestão – principalmente ao se ofertar um contrato milionário a qualquer tipo de trabalhador.

Pois, certo mesmo, é que não há anjos ou demônios neste tipo de pauta. Quem sofre as consequências, ao final de toda a história que envolve atrasos, descumprimentos e leituras indevidas da legislação sem focar na ética, é o torcedor de futebol associado aos clubes existentes em todo país!

Abaixo, é possível o leitor acessar três reportagens, que ajudaram a formar minha opinião inicial sobre o tema. Clique nos links a seguir:


OBS: os links abaixo foram acessados no dia 21/05/2020 e, pelo menos até esta data, constavam disponíveis para leitura na página do referido canal.


GLOBO ESPORTE:

LANCE:

GAZETA ESPORTIVA:

sábado, 23 de novembro de 2019

De longe, com o Rubro Negro


Por: Luciano Bonfoco Patussi
23 de novembro de 2019

Flamengo e River Plate prometem um espetáculo de futebol como poucos, nos últimos anos, nesta decisão da Copa Libertadores da América 2019. A final acontece logo mais, em Lima, no Peru.

O River Plate é o mais efetivo time dos últimos cinco anos, no continente sul americano. Muitas vezes campeão na América e na Argentina, chega para mais uma decisão. Já o Flamengo é a surpresa positiva, pois o time que hoje desfila bom futebol reflete as últimas administrações do Rubro Negro, que prezaram por colocar as contas em dia. O resultado disso está chegando: praticamente campeão brasileiro, o Flamengo pode almejar o título da Copa Libertadores novamente, após 38 anos!

Obviamente, não é um jogo vencido. O River Plate luta para fazer história, mais uma vez, e é um timaço! Mas na minha visão, o Flamengo vive um momento mágico, com um time de força, imposição e objetividade, algo que poderá ser positivo, marcando não apenas a sua história, mas servindo como um delimitador e quebrador de paradigmas, fazendo se fortalecer os demais clubes do Brasil.

Há cerca de dez anos, não vejo meu padrinho. O dia a dia, a distância, o trabalho, entre tantos outros pontos, fazem com que muitas vezes deixemos um pouco de lado algumas coisas importantes em nossa vida. Entre elas, o convívio com as pessoas que mais gostamos. Isso é difícil!

Fica aqui uma singela homenagem ao meu padrinho! De Campos dos Goytacazes até Passo Fundo, onde formou sua família no planalto gaúcho, lembro de passar ao seu lado algumas oportunidades de minha infância, assistindo pela TV aos jogos do campeonato carioca nos anos da década de 1990. Apaixonado por futebol que sou, me presenteou com uma Revista Placar, edição especial do Flamengo campeão mundial de 1981! Tá guardada até hoje!

Seu Achiles, mesmo de longe, estou contigo pela realização deste grande sonho em tua vida de mais de 80 anos com o coração rubro negro!

Este, promete ser um jogaço! Histórico!

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Copa América 2019: um golpe na tradição

Por Luciano Bonfoco Patussi
22 de agosto de 2017

Digamos que a Federação Gaúcha de Futebol resolva convidar Criciúma, Chapecoense, Peñarol e Nacional de Montevidéu, para disputar o campeonato gaúcho – com o objetivo de melhorar a qualidade técnica do certame.

Em paralelo, imagine que a Confederação Brasileira de Futebol efetive convite semelhante, inserindo Boca Juniors e River Plate na disputa da Copa do Brasil, com o intuito de agregar valor ao torneio.

Neste momento, o leitor deve indagar surpreso: “que papo é esse!?”. Com a desculpa de qualificar tecnicamente a próxima edição da Copa América, a Confederação Sul Americana de Futebol está prestes a convidar diversas seleções de fora do continente americano: entre as cogitadas, estão Portugal, Espanha e Itália, entre outras!

É notório que a inserção destas seleções na competição traria maior visibilidade ao torneio. Fato que se traduziria em cifras milionárias depositadas nos cofres da CONMEBOL, verbas oriundas da negociação de patrocinadores e de direitos de transmissão.

Onde quero chegar com esta análise? Está na hora de a mídia esportiva ser crítica, contra decisões desta magnitude, que visam lucro para as confederações de futebol, entre outros possíveis interessados. Remuneração esta que nunca se transformará em benefícios reais para a população e nem para os amantes da tradição do futebol.

Cabe ressaltar que investigações policiais recentemente ocorridas em nível mundial, no âmbito do futebol, têm mostrado exatamente onde estão os destinatários de boa parcela dos recursos de que estamos falando. Se equipes de fora do continente vierem a disputar a Copa América em 2019, a alma do torneio será esfacelada, pois a competição não mais existirá na sua real e verdadeira essência. O espírito da Copa América, cambaleante, morrerá! Tudo, em favor de algumas dúzias de interessados!