quinta-feira, 10 de junho de 2010

Opinião: Copa do Mundo FIFA 2010


Após um belo festival - com direito a vários espetáculos musicais – vai começar a disputa de mais uma Copa do Mundo de seleções da FIFA. O palco da magia do futebol, em 2010, será a África do Sul. Pela primeira vez na história o continente africano será anfitrião de um campeonato mundial de futebol. O mundo da bola está atento. Os corações batem mais forte. Façam suas apostas. O blog Futebol Arte & Garra deixa aqui seu palpite e gostaria de saber sua opinião.


Por Luciano Bonfoco Patussi
10 de junho de 2010

Nos últimos 16 anos, todas as seleções que venceram a Copa do Mundo mostraram, pelo menos, uma característica comum: todos foram times pragmáticos, que valorizavam sua defesa acima de qualquer outra coisa. Eis a velha máxima do futebol que diz que todo grande time começa tendo um grande goleiro e uma defesa sólida. Essa situação apresentada, onde equipes mais bem organizadas defensivamente – mas com certo talento ofensivo – acabam sendo campeãs, expõe uma tendência do futebol atual. Vamos aos fatos:

1994 – Brasil campeão: Taffarel, no gol, tinha a segurança de ter todo um grande sistema defensivo armado pelo técnico Carlos Alberto Parreira e liderado dentro de campo pelo capitão Dunga. Romário comandou a equipe ofensivamente. O baixinho era o melhor jogador do mundo. Com um futebol burocrático, mas competitivo ao extremo, o Brasil foi vencedor.

1998 – França campeã: Com Barthez no gol e jogadores como Thuram, Deschamps, Desailly e Blanc na retaguarda, “Os Azuis” tiveram uma defesa praticamente intransponível. Zidane, com talento e criatividade, tratou de organizar a equipe. O resto da história, o mundo inteiro sabe – e a torcida brasileira jamais esquecerá.

2002 – Brasil campeão: o grande “São Marcos” foi o goleiro da confiança de Felipão, que sempre buscou primeiramente organizar sua defesa, até pelos talentos individuais ofensivos que a equipe possuía. O treinador formou na seleção brasileira a chamada “Família Scolari”, onde absolutamente todos os jogadores – incluindo os craques Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo e Ronaldo – tinham a obrigação de cumprir tarefas defensivas. O time encorpou, ganhou confiança e venceu todos os sete jogos do mundial.

2006 – Itália campeã: Marcello Lippi escalou a “Azzurra” com o melhor goleiro do mundo – Buffon. O capitão da seleção era o melhor zagueiro do mundo na época – Cannavaro. Além deles, Gattuso, De Rossi, Zambrotta, Camoranesi e outros importantes jogadores formaram um sistema defensivo difícil de ser ultrapassado. Na meia-cancha, Pirlo e Totti, principalmente, deram um toque talentoso ao time, que durante o mundial cresceu de produção e alcançou a glória máxima do futebol mundial.

Assim sendo, com a exposição desta tendência defensiva e vencedora, e em caráter de opinião pessoal, o colunista que vos escreve aponta as seleções de Espanha, Brasil e Inglaterra como as grandes favoritas ao título. A Espanha, do treinador Vicente Del Bosque, vai para o mundial com excelentes jogadores do meio de campo até o ataque. Na defesa, tem também bons jogadores e um bom goleiro. O time espanhol é o atual campeão europeu de seleções, o que tira dos jogadores um pouco da fama de que a seleção espanhola sempre fraqueja nos momentos decisivos. Os últimos resultados nas eliminatórias e em amistosos também são animadores.

O Brasil, por sua vez, vai ao mundial comandado por Dunga e com algumas contestações do povo brasileiro, no que se refere à convocação. Mas Dunga tem seus méritos. A classificação antecipada nas eliminatórias, as vitórias contra grandes seleções como Argentina e Itália, tudo isso aliado aos títulos da Copa América e da Copa das Confederações, dão respaldo ao trabalho do “Capitão do Tetra” à frente da seleção brasileira.

Outra favorita ao título, a Inglaterra vai para a África do Sul treinada por Fabio Capello – um dos melhores e mais vitoriosos treinadores do planeta – e possui grandes jogadores. Os ingleses sofreram com alguns desfalques importantes devido a lesões sofridas às vésperas da disputa, mas ainda assim possuem uma equipe de grande nível e com excelente organização tática.

Nunca podemos esquecer equipes como a Argentina, a Itália e a Alemanha. Estas três seleções possuem chances de título, mas correm por fora. Os comandados do “treinador” Diego Armando Maradona possuem grande técnica. Individualmente e ofensivamente, diria que a Argentina tem qualidade parecida com a seleção espanhola.

Entretanto, Maradona deixou fora do mundial importantes peças defensivas, como Javier Zanetti e Cambiasso – que são titularíssimos da Internazionale de Milão, atual campeã de clubes da Europa. A campanha medíocre nas eliminatórias, aliado ao excesso ofensivo do time, pode fazer Maradona e sua equipe, repleta de estrelas, sucumbir. Em contrapartida, o carisma do maior jogador argentino de todos os tempos pode ser um aliado psicológico e fazer seus comandados “suarem sangue” para fazer a Argentina novamente ser campeã mundial.

A Itália e a Alemanha dispensam comentários. Ambas as seleções saíram de seus países sob enorme desconfiança de parte da torcida e da imprensa. Sempre que foram campeãs do mundo, isso aconteceu. A Itália é a atual campeã mundial e a Alemanha foi terceira colocada na mesma disputa. Não é preciso dizer que, apesar de correrem por fora, sempre podem chegar a uma fase decisiva. Se os adversários deixarem ambas chegarem às semifinais – fato que é possível, tornam-se favoritas naturais ao título, contra quem for que venham a jogar.

Como candidatas à surpresa positiva do mundial, apontaria cinco equipes: Holanda, que pode até ser campeã, dependendo da confiança que equipe irá adquirir ao longo da disputa. A Holanda possui boa defesa e jogadores ofensivos que vivem grande momento técnico, como Sneijder e Robben. Isso pode ser decisivo para o crescimento da equipe; Dinamarca, que realizou grande campanha nas eliminatórias e tem um time bastante compacto; Sérvia e Costa do Marfim, que se passarem da primeira fase, pelos jogadores que possuem, podem crescer e ir longe no mundial; Suíça, que está em uma chave difícil, mas não me surpreenderia se, mais uma vez, conseguir se classificar e, até mesmo, ir mais longe. É difícil, mas é um time bastante coeso e pode surpreender.

Acredito ainda que França e Portugal serão as decepções do mundial, pelo seu histórico recente. Nos últimos anos, as duas seleções acima citadas têm chegado aos momentos decisivos das competições que disputaram. São times que possuem alguns jogadores do mais alto nível técnico do mundo, casos principalmente de Ribery e Cristiano Ronaldo. Entretanto, às vésperas do mundial, ambas as equipes, que possuem bons talentos individuais, ainda não conseguiram formar um confiável time de futebol. Entretanto, ainda há tempo para uma virada.

Fiquem todos à vontade para expor suas opiniões e suas críticas. Uma grande Copa do Mundo para todos os leitores. Saudações esportivas.

domingo, 9 de maio de 2010

Opinião: campeonato brasileiro 2010


É início de mais um campeonato brasileiro. O certame mais equilibrado do futebol mundial começa, em ano de Copa do Mundo, sem que uma equipe seja considerada, sem sombra de dúvidas, única favorita. Isso é um dos fatores que dá maior emoção ao campeonato.

Por Luciano Bonfoco Patussi
08 de Maio de 2010

Este grande número de equipes favoritas ao título, além da certeza de que o cenário inicial da cotação dos times e suas possibilidades irá mudar em boa parte da análise, se deve a vários fatores, e é uma tendência que todo ano isso ocorra com o futebol brasileiro, tais como: haverá novas negociações pelo menos até a metade do ano, o que irá enfraquecer alguns elencos e fortalecer outros; alguns times ainda atuam em competições paralelas, tais como Copa do Brasil e Copa Libertadores da América, o que faz com que, teoricamente, percam um pouco de sua força e foco neste início de campeonato; mais adiante, haverá a Copa Sul-Americana, o que poderá prejudicar alguns times devido a carga de jogos excessiva, mas por outro lado poderá auxiliar animicamente, caso a equipe encaminhe boa seqüência de atuações no torneio sul-americano e isso poderá influir positivamente no andamento da disputa nacional; haverão muitas trocas no comando técnico. Por nossa tradição de toda a culpa por uma fraca campanha cair nas costas do treinador e de sua comissão técnica, alguém duvida que cabeças irão rolar? Estes são apenas alguns fatores que podem mudar o cenário que temos formado, inicialmente, neste campeonato.

Assim sendo, descrevo abaixo, em caráter de opinião inicial, as equipes e seu atual patamar dentro da competição. Gostaria que, caso haja alguma discordância, opinem, deixando suas críticas e análises, visando o debate. Ao final da temporada, veremos quais times confirmaram a expectativa, quais não confirmaram, quais foram as surpresas positivas. Enfim, vamos a breve análise:

Favoritos ao título – Inicialmente, apontaria duas equipes favoritas ao título brasileiro. Pela atualidade vista e analisada em campo, estas equipes não deverão baixar do quinto lugar no campeonato nacional: Santos e Cruzeiro.

Candidatos a vaga na Copa Libertadores da América, com possibilidade de título – Este grupo é grande. Há muitas equipes que, tanto por sua recente tradição, quanto por seus elencos e por suas recentes atuações, irão lutar por vaga na Copa Libertadores e poderão, conforme o decorrer da disputa e a evolução técnica e tática do time, candidatar-se ao título de campeão brasileiro: Flamengo, São Paulo, Corinthians, Atlético Mineiro, Internacional e Grêmio. Destes times, quem se descuidar, deverá se contentar com uma vaga na Copa Sul-Americana, o que também não é nada ruim, se considerarmos que, a partir deste ano, o torneio dará ao seu campeão uma vaga na Copa Libertadores da América.

Deverão brigar por vaga na Copa Sul-Americana – Este grupo de equipes deverá estar jogando para alcançar, pelo menos, uma vaga na Copa Sul-Americana. Logicamente, o decorrer do torneio poderá colocar algum destes times tentando vaga na Copa Libertadores. Mas isso, inicialmente, é um tanto difícil: Botafogo, Fluminense, Vasco da Gama, Palmeiras, Vitória, Avaí, Atlético Goianiense e Grêmio Prudente. As equipes descritas neste grupo, mas que atravessarem algum momento de turbulência, correrão risco de queda para a segunda divisão.

Lutarão contra o rebaixamento – Contra a queda, infelizmente para algumas equipes, o melhor remédio é a qualificação técnica, aliada a alguns outros fatores menores, mas não menos importantes. Algumas equipes deverão provar que vieram ao campeonato para fazer bonito. Porém, escapar do rebaixamento e seguir lutando na primeira divisão nacional já terá sido um bom resultado, devido as atuais dificuldades técnicas que são visíveis: Atlético Paranaense, Goiás, Guarani e Ceará. Todos são times de muita tradição e de torcida forte. Deverão lutar muito contra as dificuldades.

Se você tem uma opinião igual, parecida ou se discorda totalmente do que foi acima exposto, escreva. Fico a inteira disposição para o debate. Uma grande saudação esportiva à todos os leitores e, para todos, o desejo de mais um inesquecível e emocionante campeonato brasileiro de futebol.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Terror do Nordeste: Santa Cruz avança na Copa do Brasil 2010

Santa Cruz elimina o Botafogo no Rio de Janeiro e mantém vivo o sonho de um feito inédito na história do clube. Delegação da equipe é saudada com uma empolgante festa de sua torcida no retorno à Recife.


Por Luciano Bonfoco Patussi
02 de Abril de 2010

Comandado pelo experiente Joel Santana, um dos treinadores mais vencedores da história do campeonato do Rio de Janeiro, o Botafogo vive uma fase de recuperação nesta primeira metade de 2010. No campeonato regional, o clube já garantiu sua vaga antecipadamente na decisão do certame. Entretanto, na Copa do Brasil, o “Fogão” foi eliminado em casa, de forma dramática. Se por um lado, um dos maiores clubes do Brasil viveu o drama de uma eliminação precoce, por outro, uma agremiação também gigante do nosso país tem a chance de aparecer no cenário nacional de forma positiva, assim como já aconteceu inúmeras vezes há anos. Estava procurando me interar sobre os fatos esportivos ocorridos na semana, lendo diversas publicações da imprensa de Porto Alegre. Foi então que, em uma das reportagens que li, deparei com uma foto do jogador botafoguense Fahel, deitado no gramado do Engenhão, parecendo não acreditar nos acontecimentos de minutos atrás. A manchete: “Tristeza não tem fim”. Realmente um drama para o Botafogo e, mais ainda, para sua apaixonada torcida. Por outro lado, a alegria volta a fazer os corações do Arruda baterem mais forte, com ares de “Querido do Povo” e “Terror do Nordeste”.

No Rio de Janeiro, o Santa Cruz, que vive o momento mais conturbado de sua história nos últimos anos, conseguiu uma grande façanha. Após perder em casa por 1x0, deu o troco no jogo de volta, vencendo o Botafogo por 3x2 nos minutos finais da partida, avançando para a fase de oitavas de final da Copa do Brasil de 2010. Um feito do tamanho da grandeza do Santa Cruz Futebol Clube. Agora, o time vai enfrentar o competente Atlético Goianiense, que eliminou outro gigante do Nordeste, o Bahia. Todos devem ter plena consciência que este fato ajuda muito no crescimento da auto-estima do torcedor “Coral”. Porém, muito ainda deve ser feito para ajudar o Santa Cruz, no longo prazo, a figurar em um lugar onde ocupou na maior parte de sua história: entre os gigantes do futebol brasileiro.

É cedo ainda para afirmar qual resultado o time pernambucano alcançará na Copa do Brasil deste ano. Os resultados, no futebol, dependem de muitos fatores, sendo que a margem de erro, diversas vezes, é alta. Dizer que a equipe será eliminada pelo Atlético Goianiense, da mesma forma que imaginar que fará história sendo o campeão nacional em uma final contra Grêmio ou Fluminense, é no momento pura especulação e deve ficar no imaginário do torcedor. O fato do momento é que o Santa Cruz está entre os dezesseis melhores times do torneio. Todos os participantes da competição sonham com oito jogos decisivos que levarão o vencedor ao título e a Copa Libertadores da América de 2011. É um grande momento do Santa Cruz, na sua luta particular para voltar a “estar gigante”. Coloco a expressão “estar gigante” porque, em minha visão, “ser” é diferente de “estar”. A grandeza de um clube, independentemente do momento vivido pelo seu time em campo, é medido pela força, pelo tamanho e pela paixão de seu torcedor. A massa torcedora é que faz um clube ter história ao longo do tempo e ser gigante. Neste quesito, o Santa Cruz, bem como seus maiores rivais de Recife, não perde para ninguém no futebol brasileiro.