Com os holofotes do esporte
brasileiro voltados ao Rio Grande do Sul nestas quartas de final da Copa do
Brasil, Grêmio e Inter disputarão o “clássico do medo” em busca de vaga na fase
semifinal, tendo a chance de iniciar o debate que definirá sua reinserção
enquanto protagonistas de elite no futebol nacional e internacional.
Por: Luciano Patussi
25 de agosto de 2026
A elite do futebol gaúcho
atravessa uma crise sem precedentes. Ver Grêmio e Internacional figurando
juntos na metade de baixo do Campeonato Brasileiro não é mero azar de percurso,
mas o reflexo de um problema muito maior: a incapacidade dos dois gigantes de
se adaptarem às profundas transformações do futebol moderno. Por trás da
oscilação dentro de campo, esconde-se uma fragilidade de gestão que empurra os
clubes para uma perigosa dependência de "milagres" para se manterem
competitivos e solventes.
O debate em torno dessa derrocada
ainda é raso. Torcida, imprensa e dirigentes costumam focar apenas no resultado
do próximo jogo, pedindo a cabeça do treinador e ignorando que o problema real
está na conta que não fecha. Enquanto as dívidas aumentam e são empurradas para
debaixo do tapete a cada mudança de mandato, Grêmio e Inter parecem agonizar à
espera de uma salvação mágica — que muitos acreditam ser a transformação em
SAF. No entanto, essa virada não virá por encanto, mas sim por uma reforma
estatutária séria, governança de fato e profissionalização da gestão,
independentemente do modelo adotado.
O modelo social tradicional,
nascido no início do século passado, vende a ideia de que os clubes pertencem
aos seus associados. Na prática, a história é bem diferente: quem aprende a
dominar os bastidores políticos e o modus operandi das instituições toma
conta do poder e dita os rumos dos times. Esse coronelismo político enfraquece
o planejamento esportivo, gera contratações equivocadas e perpetua vícios de
gestão — uma realidade que não se restringe ao Rio Grande do Sul, mas que cobra
um preço alto demais da dupla Gre-Nal.
O reflexo desse cenário fica
evidente nos confrontos pelas quartas de final da Copa do Brasil de 2026. O que
deveria ser o choque entre a tradição gremista na competição e a imponência
colorada contra o seu maior rival em mata-matas além do Rio Grande
transforma-se em um verdadeiro "festival do medo", em que o receio de
perder supera a vontade de vencer. Se Grêmio e Inter não modernizarem suas
estruturas e seus conceitos políticos urgentemente, correrão o risco de ver sua
relevância nacional minguar, tornando o topo da tabela do Brasileirão um
objetivo cada vez mais distante.
Títulos relevantes até poderão acontecer — fruto de uma campanha fora da curva ou de uma arrancada inspirada em torneios de mata-mata que termine em taça. Contudo, vitórias pontuais apenas mascaram a ferida. Sem uma evolução profunda nos conceitos de gestão, governança e política apresentados aqui, a dupla Gre-Nal dificilmente conseguirá sustentar uma sequência em alto nível, condenando-se a viver de lampejos esporádicos em vez de um protagonismo sólido e duradouro — uma realidade dura para a tradição de ambos os clubes, acostumados a eras de ouro e hegemonias inesquecíveis.
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